quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Navalha Nacional

Agora há pouco escutei o Senador da República, José Sarney, tentar justificar a ausência de parlamentares no congresso nacional (nos últimos 2 meses houve apenas 6 sessões).

Argumentava o parlamentar, com um sorriso indisfarçável, que era justificada a debandada dos parlamentares, porquanto estavam estes em suas bases eleitorais.

Não conheço todos os atributos que a constituição confere aos parlamentares, mas posso afirmar que tratar de assuntos eleitorais em detrimento de matérias de interesse da população não figura entre estas prerrogativas.

Hoje o país gasta uma fortuna para cada cabeça de parlamentar em Brasília, enquanto os órfãos da democracia morrem de fome, definham nas filas dos hospitais, são abatidos por balas perdidas, morrem de ignorância.

Este ano a Revolução Francesa completou 221 anos e se Maximilien de Robespierre fosse vivo, em seus discursos tonitruantes, diria que estas cabeças valeriam mais num cesto do que sobre os corpos onde elas ora se assentam.

Robespierre e seu grupo instituíram a chamada Navalha Nacional, mais conhecida pelo nome de guilhotina, na qual os inimigos do povo e da revolução eram “afastados” da vida pública.

Hoje os tempos são outros e a guilhotina foi substituída por um método menos sangrento. A nossa Navalha Nacional é a Urna Eletrônica, mas me parece que a sua lâmina está cega e imagino que era justamente por isso que o Senador Sarney estava sorrindo quando concedeu a entrevista.

Wellington Rex

Salvador 20 de outubro de 2010.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quem Sou

Quero inaugurar este blog com um poema meu falando quem sou e o que pretendo. Será isso possível em apenas uma postagem? Bem, vejamos...

Há pessoas que vivem a dura realidade da vigília, há aqueles que se aquartelam nas faldas do sono e existem os que freqüentam as regiões fronteiriças entre o sonho e o mundo acordado.
Eu sou habitante destas regiões. Transito entre o sono e a vigília, bebendo dos dois mananciais.
Acordado sou fato, adormecido sou mito - não me comprazo em ser nem um nem o outro,
quero a onisciência de estar meio desperto, ou meio adormecido, desta forma sou passado,
presente e futuro. Nas solitárias regiões limiares, colho os frutos amargos da compreensão de mim mesmo, mas cresço além das esferas de ambos os mundos, evoluo.
Embora não esteja lá nem cá, cada segundo é um novo despertar.